Sunday, February 25, 2007

Fronte

Procurarei
Enquanto raiar sol pelas frestas de minha taba
Enquanto pulsar o cardíaco líquido que não se acaba
Enquanto o tanto não for mais, e o de menos for para sempre

Procurarei
Sempre e nunca darei o braço nem as pernas a torçer
Porque são de ferro as pernas que procuraram tantas vezes tocar o céu
O céu não é infinito, é do tamanho dos nossos sonhos

E sonhemos, e sonhemos tanto
Porque há de existir razão para os prantos
E não me diga que são intrigas da vida
Tudo se compensa no mais natural embate

Procuramos um outro covarde
Cintilamos num alguém uma luz clara e ideal
Que pena.
É assim que perdemos o foco de nossa própria estrela.

Quero me limpar de tantas exigências
Despir-me ao desconhecido para poder encontrar alguém
Mudar de rota e ritmo
Pongar numa onda que me traga diferentes mares

Ah...
São tantos ares.
Fecharei portas e abrirei janelas.
Bem se sabe que os pássaros não rastejam por terra.

É hora de parar de olhar pra baixo e para trás.
Pegadas não nos levam àquele que ronda nossos sonhos de céu.

Saturday, February 10, 2007

Meio

Não tolero mais esses infames
Esse medo-meio, não parte, engano
A idéia é construir paredes à nossa volta, ligar musiquinha
Asfixiarmos-nos.
E chamar isso de balada?

Não há topada que justifique tamanho rio de sangue
Batalhas não foram travadas
Homens e mulheres sobem ao palanque
Dia a dia surgem heróis e horrores

Sinto, pois, de mim ao mais, tontura latente
É que meu coração e alma são maiores que esses recipientes
E para roubar energia, meu caro
Já bastam os falsos gatos

Compreender-se em meio ao meio tão inventado.
Somos todos iguais?
Que nada, sou porco espinho.
Procurarei, sob chuva e redemoinho, um colchão para suportar
Meus encargos e meus alegres

Preciso de corda e navalha
Preciso escalar esse muro.

Respirar de novo ar puro
Difícil, minhas narinas estão mudadas
Mas... não será de todo ruim
Poderei agora, para ambos, sentir os zangões e o mel das abelhas.