Por falar em falta de tempo...
Fico contente em ser perguntado por amigos se não iria postar de novo. Pessoas que embora não comentem no blog, acompanham tudo o que escrevo. Isso é estimulante. Vai aqui um texto que fiz tem umas três semanas, e que gostei bastante.
Saudades.
Tento
Tempo
Esse amante proibido
Da boca céu salina tempos de outrora, tempos de vida
Tempos para a mãe sadia
E para o filho vida uterina
Tempo para o mundo
E cem mundos para o mesmo tempo
Cegos andantes aqueles sem tempo
Sábios pedantes os com todo tempo do mundo
Tempo sempre lento
É o mesmo tempo dicotômico, sedento
Vento que arrasta esse tempo num assobio de gaita e violão
Eita, saber dos nãos
Olhar da casca polpa os minutos vagão
Esse trem, trampo tempo, tanto tempo, tarde tão...
O tempo mexe nos conceitos
Faz cair os peitos e os narizes e os queixos e as bocas
Faz da água sangue de vinho, dá nó em pingos d’água
Por cargas d’água vontade divino
Tempo, tempo sabido
Cronometra sua vida, pequeno
Arranja um tempo pra te dar carinho.
Pouco e muito são os tempos do caminho
Para o mesmo tempo, tantos caminhos
Para o mesmo mar... só um destino
Eita tempo que traga furiosamente com traças, essas ondas no mar
Puxa com tanta força essa moça perdida no altar
Esposa ela com todas as agonias, e coisas da vida no mais nobre Parar
Tempo para que te quero, ainda que não te queira, um dia contigo irei casar.
Um, dois, três.
Do quatro só Deus sabe.
