Dias

Ai que essa idade me come as estribeiras
Me mata a beira da cama
Traz passados enterrados
E não resolve esse futuro vindouro
Futuro teimoso
Nunca chega
Aguardo, como uma noiva paciente
Pádua e clemente. Não há sinais de mudança neste quadro.
E passam os minutos... as horas... calvário.
O tilintar de copos distantes, essa pantomima cediça e honrosa.
Tic Tac, os ponteiros me apontam a um nada.
Beira de abismo. Estrada.
Doem os queixos afundados na almofada.
Que fazer amanhã ou mesmo hoje?
Tantas tarefas, poucos monges.
Rezar para quem e para onde?
Onde buscar, o que buscar e, qual mesmo seu nome?
Ai que ta me dando um sono.
Voltarei a dormir.
E quem sabe não me embale nalgum sonho.
Que não me abale e que me desentale deste dia insosso.
Quero acordar com um diário.
Um mapa na cabeceira.
Uns beijos no pescoço.
E uma rota a ser traçada, todos os dias.
Sonhar para não perder o sono.
Acordar para dormir com planos.
Vamos?

