Wednesday, June 27, 2007

Dias


Ai que essa idade me come as estribeiras
Me mata a beira da cama
Traz passados enterrados
E não resolve esse futuro vindouro

Futuro teimoso
Nunca chega
Aguardo, como uma noiva paciente
Pádua e clemente. Não há sinais de mudança neste quadro.

E passam os minutos... as horas... calvário.
O tilintar de copos distantes, essa pantomima cediça e honrosa.
Tic Tac, os ponteiros me apontam a um nada.
Beira de abismo. Estrada.

Doem os queixos afundados na almofada.

Que fazer amanhã ou mesmo hoje?
Tantas tarefas, poucos monges.
Rezar para quem e para onde?
Onde buscar, o que buscar e, qual mesmo seu nome?

Ai que ta me dando um sono.
Voltarei a dormir.
E quem sabe não me embale nalgum sonho.
Que não me abale e que me desentale deste dia insosso.

Quero acordar com um diário.
Um mapa na cabeceira.
Uns beijos no pescoço.
E uma rota a ser traçada, todos os dias.

Sonhar para não perder o sono.
Acordar para dormir com planos.

Vamos?

Sunday, June 24, 2007

Qual a razão?


Qual a razão para certas coisas que vagam pelo mundo perdidas sem rumo
E para as crianças desabrigadas? Qual a razão?
Para os ditadores, o sofrimento e a opulência, qual a razão?

Qual o motivo e a motivação?
Para mães sem os filhos
Para os tiros, para a falta de pão

Qual a ponte para os amigos sentidos
Para os ex-namorados e os inimigos
E para os desafetos irmãos

Qual a cura para os loucos, desvalidos
Os em coma e os comidos
Qual a razão para os crápulas, os falsetes e os bandidos?

Qual a razão para a tortura. Tontura. Covardia. Lamúria.
Qual a razão para o pouco e o sedento. O ópio e o virulento.
Tapumes de seda para feridas que jamais fecharão.

Qual a razão.

Para o cuspe, para quebra, a bancarrota e a megera
Para o inferno e as quimeras
Para os pesadelos desta e de outras eras.

(...)

Neste texto jaz espaço em branco.
Solenes anotações.
Descontentes e desesperançosas.