Monday, August 27, 2007

Nós

Seu corpo encravado no meu
É símbolo da cruz e da glória

Sua pele em contato com a minha
Se resolve nos poros e se encontra na língua

Esse suave enlace
De um crime que me parte
Sou vítima de nosso desate
E os lençóis testemunhas covardes...

O trem invade
Cruza fronteiras e montes, chega à Marte
O mundo gira e gira o teto e giram as fases
A luz pisca pois aqui o sol nasce...

Deitar num rosário...
Estirar-se num banho trepido, lânguido despertar de desejos
Se for eu, se for você, ser o mesmo
Gozar não tira pedaços...

E os espelhos e os retalhos
Encontro-nos num avesso de inventário
Inventemos nossa sorte
Encontramos nosso armário

Sair das espreitas para a boa vida relicário
Cada artigo sobre a mesa faz calvário
Nenhuma dor suplanta esse sorrir de ousado

Mil, dez, suor culpado
Esquecer-se das angústias é o primeiro passo
E então não há contas, só resultados imediatos
Amar é esquecer-se de quando não somos amados.

Sedento esse bálsamo
Mergulhar em moças e Mários
As Marias costuram minha cueca e meu talo.

Por fim, ser todo num campo vasto
Levar-me ao vento nas alturas de um máximo
Desfazer-se num pólen doce por gotículas de orvalho.
Semear o doce mel das abelhas com um só zangão e atalho.

Depois da janta, beber de gargalo.
O néctar da juventude jorra dos matos.

Comer desse fruto não é pecado.