Monday, August 27, 2007

Nós

Seu corpo encravado no meu
É símbolo da cruz e da glória

Sua pele em contato com a minha
Se resolve nos poros e se encontra na língua

Esse suave enlace
De um crime que me parte
Sou vítima de nosso desate
E os lençóis testemunhas covardes...

O trem invade
Cruza fronteiras e montes, chega à Marte
O mundo gira e gira o teto e giram as fases
A luz pisca pois aqui o sol nasce...

Deitar num rosário...
Estirar-se num banho trepido, lânguido despertar de desejos
Se for eu, se for você, ser o mesmo
Gozar não tira pedaços...

E os espelhos e os retalhos
Encontro-nos num avesso de inventário
Inventemos nossa sorte
Encontramos nosso armário

Sair das espreitas para a boa vida relicário
Cada artigo sobre a mesa faz calvário
Nenhuma dor suplanta esse sorrir de ousado

Mil, dez, suor culpado
Esquecer-se das angústias é o primeiro passo
E então não há contas, só resultados imediatos
Amar é esquecer-se de quando não somos amados.

Sedento esse bálsamo
Mergulhar em moças e Mários
As Marias costuram minha cueca e meu talo.

Por fim, ser todo num campo vasto
Levar-me ao vento nas alturas de um máximo
Desfazer-se num pólen doce por gotículas de orvalho.
Semear o doce mel das abelhas com um só zangão e atalho.

Depois da janta, beber de gargalo.
O néctar da juventude jorra dos matos.

Comer desse fruto não é pecado.

3 Comments:

At Tuesday, August 28, 2007, Anonymous Anonymous said...

Eu estava com saudade dos seus poemas!!! Forte e terno ao mesmo tempo, adorei!!! Beijos amore!!!

 
At Thursday, August 30, 2007, Blogger Thiago de Sá said...

Missed your poems. Still missing you!

XOXOXOXO

 
At Tuesday, September 25, 2007, Anonymous Anonymous said...

sabe que eu gostei muito desta né? EUFORICAMENTE AMEI

 

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