Tuesday, September 18, 2007

Rob3erto



Roberto vive numa redoma de soslaio.
Não sabe ele das dores do amanhã nem dos presentes do passado.
Vive Roberto num harém despropositado.
Tantas mulheres, meu deus, pra quê trabalho.

E Roberto vê-se sufocado. São mulheres amigas, mães, tias, putas e empaladas.
Roberto já comeu muito e está enjoado. Mas gosta da fruta, não é viado.
E Roberto já está falado. Anda e volta e as mesmas mulheres do lado.
Onde está Roberto? Roberto está atarefado.

E Roberto é pop. É estrela. É malvado. É anjo e prostituta.
Falam muito dele, bem e errado.
Roberto tenta se concentrar na labuta. Mas não foge de um telefonema fim de sábado.
Roberto sabe que tem de mudar. Tem de mudar-se. Ele muda a cada manhã, mas busca a mesma casa sob o escuro pano de estrelas no céu sátiro.

Roberto é belo, pêlos e beijos pertos.
Às vezes queria sumir pelo eterno. Sente-se feio quando tem em si a insegurança de quem grande perde os pés. Mas anda cansando-se essa coisa de ser bonito.
Roberto outro dia decidiu: quer sua beleza só para si.

Roberto olha-se no espelho. Pôr-do-sol viradeiro.
Roberto põe-se em si mesmo. É um terno eclipse, não há luz perspectivas para fora de seu círculo. Medo. Coração sobreposto, escondido. Uma vez já lhe conquistaram. Mas isto é mesmo um perigo.
Roberto vive rico como um mendigo.

Roberto sabe e os outros dele sabem. Digo, as outras. Mas, diz Roberto: não me importam os outros! Mentira.
Roberto é porque os outros lhe dão a eficácia de ser e não ser.

Roberto já perdeu muito; já ganhou vagabundo.
Mas tem medo de sair de casa, por vezes. É que as mulheres são borboletas espalhadas neste campo de centeio.
Já pegou todas. E sente-se sufocado pelas flores em cujas borboletas semeou o mais ingênuo mel.
Descobriu, outro dia, Roberto, que é diabético.
E onde estão os médicos? Digo, as médicas?

Não há causa para tamanho ponto.
Roberto é um fim em si mesmo.